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Apesar de a crise financeira mundial ter impactado negativamente a economia brasileira no segundo semestre de 2008, os números do e-commerce continuaram a dar sinais de vigor: cresceu 13% em relação à 2007, segundo a última edição da pesquisa de Comércio Eletrônico no Mercado Brasileiro divulgada pela FGV. Aproximadamente treze milhões de pessoas físicas gastaram U$ 53 bi. E em 2009 espera-se que pelo menos mais 4 milhões de internautas deixem de lado seu hábito de apenas consultar preços nas lojas virtuais e passem efetivamente a comprar.
Diversos fatores influenciarão o crescimento do e-commerce brasileiro previsto para os próximos anos. São fatores mercadológicos, tecnológicos e comportamentais.
Os fatores mercadológicos incluem um acirramento na disputa por mercado, o que deve acarretar em promoções customizadas e facilidades de crédito. O destaque poderá ficar com as Casas Bahia, maior varejista e anunciante do País e o possível ingresso do Carrefour, o último grande player ausente.
Algumas novidades tecnológicas e o incremento de tecnologias ainda subutilizadas também deverão ajudar. O aumento do uso por parte das empresas de ferramentas de business intelligence e novas ferramentas de pagamento para a plataforma mobile são algumas delas. Baseadas na experiência do internauta, intensificarão as evoluções na usabilidade desses portais com a possível ajuda de tecnologias como Ajax e, principalmente, o RIA (Rich Internet Application). Alguns desses portais darão seus primeiros passos em direção à web semântica, a 3.0, facilitando a busca do e-consumidor por produtos e informações. Mas as maiores novidades ainda deverão ficar por conta do grande aumento no uso das ferramentas sociais. A Forrester Research, Inc. elenca 7 delas como as mais usadas, que são: widgets, podcasting, mashups, wikis, blogs, RSS e redes sociais.
Aliás, como fator comportamental, são as ferramentas de web 2.0 que deverão causar maior impacto. Boa parte dos consumidores on-line já são bem maduros no uso desse tipo de ferramenta e as usarão com ainda mais freqüência, influenciando o desenvolvimento de novas tecnologias, novos produtos e serviços.
A web social, que oferece maior poder de influência, é hoje fator decisivo para muitos internautas na hora de escolher seus produtos, pois muitos se baseiam na experiência compartilhada de produtos feita por outros usuários.
Espera-se que a presença crescente de usuários nas redes sociais leve o e-commerce a ser ubíquo, espalhando lojas por diversos pontos digitais, principalmente através de widgets que são facilmente acoplados em blogs e redes sociais.
E aqui residem grandes oportunidades para empresas aperfeiçoarem a experiência de uso em canais de auto-serviço, criarem estratégias de branding, relacionamento, afiliação e fidelização, fortalecendo assim o principal pilar do e-commerce, a credibilidade.
Já o B2B on-line, o comércio eletrônico feito entre pessoas jurídicas, movimentou um volume bem maior. Só em 2.008 aproximadamente U$ 140 bilhões foram transacionados através de sistemas proprietários de compras das empresas, chamados de e-procurements, através de sistemas de vendas destas, os e-sales, e também através do e-marketplaces.
E apesar dos sistemas de e-procurement e e-sales responderem por 85% deste montante e trazerem inúmeros benefícios, tais como forte redução de custos operacionais, melhor gestão executiva do processo de compra, mais informações sobre potencial e desempenho de clientes e fornecedores, melhores resultados em cotações, e ainda estarem presentes em quase a totalidade das grandes empresas do País, ainda apresentam um enorme potencial de crescimento de uso pois cerca de 80% da cadeia de valor das grandes empresas é composta por micro, pequenas e médias empresas, que ainda encontram-se em processo de evolução da maturidade em e-business. As trinta maiores companhias usuárias desse tipo de B2B on-line respondem por cerca de 85% deste volume.
Os marketplaces eletrônicos, portais independentes para transações B2B, responsáveis pelos 15% restantes desse mercado, vem apresentando índices de crescimento ligeiramente maiores aos dos mercados privados. Nesses ambientes é comum pequenas e médias empresas fazerem compras conjuntas para obterem vantagens financeiras.
O e-commerce de intangíveis, ou de serviços, que fora inaugurado no País com a venda de planos de telefonia móvel, vem ganhando mercado tanto no B2B quanto no B2C. Dentre os fatores que impactam esse crescimento pode-se destacar melhoria da usabilidade e, conseqüentemente, da experiência do usuário até novidades tecnológicas, como o advento do SaaS (software como serviço).
Hoje usado principalmente por empresas de tecnologia, o SaaS deverá ganhar bastante mercado nos próximos anos, segundo o Gartner. Afirmam que este terá crescimento de aproximadamente 100% ao ano até 2012. As 60 empresas de tecnologia que apresentam maior índice de crescimento no mundo estão direcionando todo seu esforço de desenvolvimento e inovação para esta modalidade. Dentre os principais benefícios da adoção do SaaS podemos destacar a redução de custos, já que não há necessidade de aquisição de hardwares, a flexibilidade na cobrança de assinatura sendo que quase sempre não há cobrança adicional pelo upgrade do sistema; a agilidade na implantação, pois o software está pronto para o uso no servidor do fornecedor e a acessibilidade, pois como é web, pode ser acessado de qualquer lugar do mundo; a parametrização, que oferece ao usuário a possibilidade de adequar o sistema ao seu modelo de negócios e de processos; o auto-atendimento que gera agilidade em resolução de problemas e redução na curva de aprendizagem; a utilização de dashboards que trazem informações de business intelligence e a possibilidade da sua utilização em múltiplos devices, como smartphones.
E quem está feliz com essa história toda é o e-consumidor. Em abril, 86,3% deles, segundo o Índice de Confiança do e-Consumidor medido pelo e-Bit / Câmara e.net, se disseram satisfeitos com suas compras on-line. Portanto, com crise e tudo, 2009 certamente será mais um ano de comemoração para o e-commerce tupiniquim.