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16/06/2009
Por Edson Dacal

E-commerce brasileiro: ousando e aprendendo

Vamos começar do começo. Redes sociais são apenas ambientes que abrigam gente, que ali se materializam digitalmente.

Não são santuários.

Convivem através dos sites muitos tipos humanos distintos. Gente legal, gente do mal, gente cabeça, gente divertida, gente azeda…

É como qualquer agrupamento humano: são capazes de ações coletivas maravilhosas, edificantes e idealistas, mas também são capazes de ser vis, destrutivos, egoístas ao extremo.

Nas redes sociais pode-se fazer marketing e propaganda sim. Pode-se paquerar, pode-se opinar, pode-se clamar, pode-se vender. São as mesmas ações humanas que se faz no dia a dia.

O que dá certo ou não é outra conversa. É muito novo e por isso, nós, humanos, estamos tateando o futuro. Sempre fizemos isso e foi assim que um dia tomamos coragem e saímos do abrigo das cavernas.

Iremos aprender, e o faremos errando. Se acertássemos de primeira mão em tudo o que fazemos, jamais entenderíamos o que é certo e o que é errado. Errar e medir suas consequências nos permite modelar o que é certo.

Cheguei ao affair BestShopTV.com e as TVs de duzentos reais.

Quando o marketing da loja virtual propôs no Twitter que ao se juntarem mil seguidores da marca no micro blog, TVs moderníssimas iriam ao site com até 90% de desconto, o que se propôs foi um jogo. Entraria quem quisesse. E assim se deu. Consta que o número chegou a quase 2.000.

A melhor metáfora para isso são as queimas pós Ano Novo que algumas lojas físicas fazem. A loja vai abrir às 9h da manhã e na madrugada já há fila. Seguranças abrem as portas e uma horda invade a loja. Todos levarão o que idealizaram? Óbvio que não. Haverá gente que não comprará nada? Claro que sim. É um jogo. É um desafio. Nesse caso dá até para temer pela integridade física das pessoas.

Que bronca é essa quando o e-commerce faz a mesma coisa?

Não lembro de gente protestando contra os grandes varejistas físicos quando eles provocam esse “estouro da boiada” que pode ter consequências muito mais graves do que alguém emburrado, que tentou um par de horas se conectar a um site e não conseguiu por absoluta overdose de acessos.

Que é a mesma coisa que ocorre na entrega de declaração do IR (e ninguém protesta), ou quando a Globo chamou visitas ao site durante a transmissão da final da Copa do Mundo.  Ou quando o internet banking falha ou fica indisponível.

Muita gente ficou atraída pela promoção e o site caiu. O Procon, perguntado, se manifestou dizendo que isso acontece e o que deveria ser feito era, em outra hora e dia, honrar a oferta da promoção.

E assim ocorreu! Foi feita a promoção na madrugada seguinte e 10 bens, entre TVs e home theaters, foram vendidos a 10% do preço.

Afinal, quem conseguiu vencer a corrida do ouro está feliz. Quem não conseguiu, tente na próxima.

Mas, exigir 5.000 TVs a 10% do preço, é, no mínimo, para ser bonzinho, de uma ingenuidade tocante.

E não entender que um site com 200 mil acessos em 4 horas, quando sua média histórica deve ser 10% disso, não apontasse alguns erros, é não conhecer o be-a-bá mais elementar da informática.

A BestShopTV.com propôs o jogo e cumpriu sua parte. Os consumidores também. O que é feio é não controlar a frustração de não ter tido a sorte (sim, apenas a sorte) de ter chegado no click certo, na hora certa.

Para terminar, tecer longos discursos sobre o prejuízo a marca que isso causou, soa a discurso de erudito em um terreno em que ainda não existe erudição.

Prejuízo ou benefício à marca, veremos com o tempo.

Dois fatos, porém são indiscutíveis: o primeiro é que a BestShopTV.com, que não estava no radar, agora habita o rol do e-commerce brasileiro e, segundo fato, a crise da FNAC e a polêmica do BestShopTV revelam que nosso e-commerce e nossas redes sociais estão amadurecendo.

Causa dor e sofrimento, mas é assim que amadurecer é.

(Edson Dacal atua nas áreas de IT e Marketing há 31 anos e é Diretor Geral da Basics).

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