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18/11/2009
Por Thiago Dacal

Acessa São Paulo, inclusão digital de verdade

Conheci recentemente o programa Acessa São Paulo. A primeira visita foi obrigatória. Tive minha carteira de motorista roubada em junho e fui fazer a segunda via no Poupatempo. Ao ser atendido descobri que precisava do B.E.O. (Boletim Eletrônico de Ocorrência) que eu tinha guardado em meu e-mail. Fui orientado pela funcionária que podia ir ao espaço do Acessa São Paulo dentro das instalações do Poupatempo. Este foi o meu primeiro contato com o serviço.

Sai satisfeito com o que vivenciei. Sem o Acessa São Paulo eu teria perdido a viagem. E como alguns dizem que a primeira impressão é a que fica, eu já olhei o programa com bons olhos.

Passaram-se alguns dias e eu tive a missão de conhecer mais sobre o projeto. Visitei dois dos principais postos e obtive informações ainda mais interessantes, mas, antes de contar sobre elas, tentarei mostrar a importância da execução desse programa.

Segundo números do IAB Brasil, a classe C da população é a que mais cresce em número de usuários web. De 2008 para 2009 o número de pessoas que acessam a internet aumentou em 6%, contra 4% das classes AB e DE. Aliás, 25% das pessoas da classe dos menos favorecidos já estão na internet, contra 39% da Classe C e 80% das Classes AB.

Até 2007 a Classe C possuía 33% de penetração na web e a Classe DE apenas 15%.

Esse avanço já causa algumas mudanças na web brasileira. O público consumidor, além de aumentar, é diferente do que já existia, e isso exige replanejamento da atuação das empresas na internet. Cada companhia precisa se preocupar com a sua mudança. Com certeza se avaliarmos as visitas em nossos sites hoje, elas são bastante diferentes do que eram em 2007, seja qual for o seu negócio.

É grande a importância de que, cada vez mais, a população das classes mais baixas acesse a internet. Aumenta o volume de consumidores, gera maior movimentação de capital, mais vendas de produtos, maior produção e mais empregos.

Porém, para que tudo isso aconteça de maneira mais rápida, segura e eficiente, os novos usuários da web precisam da inclusão digital, que, como bem defende o Acessa São Paulo, é muito mais que isso, é, também, inclusão social, afinal, cada vez mais, quem não navega na internet é um excluído socialmente.

O programa do Governo do Estado de São Paulo ganha minha admiração e respeito exatamente pela forma que trabalha. Além de disponibilizar computadores em pontos estratégicos do estado, ainda realiza oficinas e cursos gratuitos para que a população tenha apoio nesse início de vida informatizada. Chama ainda mais a atenção quando descobre-se que alguns dos monitores do programa são ex-excluídos digitais e sociais.

Muitos dos funcionários que prestam seus serviços no auxilio básico dos usuários prestavam trabalhos como diaristas, faxineiros, entre outras profissões que não necessitam usar computador ou internet.

É a inclusão digital na raiz.

É excluído aprendendo e ensinando excluído.

Os cursos, por vezes ministrados por usuários um pouco mais avançados do Acessa, são sucesso. Qualquer pessoa pode montar o seu curso, levá-lo à um posto de atendimento e conversar com o responsável para apresentar a ideia. Em uma das minhas visitas ocorria um curso de Word. Todos os computadores da sala estavam ocupados e todos os alunos eram pessoas de terceira idade.

Em alguns postos existem moradores de rua usando o Acessa. Inclusive mexendo em seus perfis fakes no Orkut.

Grande parte dos usuários usa os postos como seus escritórios, tanto que já existe Acessa São Paulo com salas exclusivas para quem vai usar o computador para trabalhar.

São mais de 1.700.000 cadastrados. Desde pessoas que usam computador desde a adolescência, como eu, até funcionários de uma fazenda de cana-de-açúcar no interiorzão do estado.

Com tudo isso, fica fácil que qualquer cidadão um pouco bem informado aprove esta iniciativa. Porém, mais do que isso, é evidente o interesse da população por essa inclusão digital. Apenas o número de quase 2 milhões de cadastros no programa indica forte atração dos excluídos por aprendizado, crescimento e, principalmente, a inclusão social, muito mais do que a digital. Cerca de 86% dos 1.740.000 cadastrados possui perfil no Orkut.

Os números do Acessa São Paulo dão ótimos indícios para o Governo Federal, Estadual e Municipal e, principalmente, para as empresas privadas que se dizem preocupadas com ações sociais, de qual o caminho a ser seguido.

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